O Enigma da Modelo, Alice Green.


O Enigma da Modelo, Alice Green.
Autor: J. Figueiredo

                            

   Era domingo de manhã, uma manhã fria, como é de costume aqui na minha cidade. Preparei umas torradas e um pouco de café, eu amo café. Estou cansada de ter essa mesma rotina todos os dias, mas estou atrasada para ir ao trabalho. Meu sonho quando criança, era ser uma modelo, mas parece que esse sonho está cada vez mais difícil, há muitas concorrentes, elas são mais bonitas. Mas, quem sabe um dia, alguém olhe para mim.

  Ainda me pergunto como eu aceito essas horas extras, é domingo pela manhã, era para eu estar dormindo. Eu sou garçonete num barzinho de minha cidade. Os clientes de lá geralmente são jovens que estão cansados da vida que levam, eles fumam tanto que as vezes não consigo enxergar direito por causa da fumaça. Todos são depressivos, brigam com seus pais, patrões e amigos. Lá eu ouço muitas histórias, a mais triste que já ouvi, foi a de uma garota, que de tão bêbada que estava, me contou como seu tio e tia a estupravam quando ela tinha 9 anos de idade. Outro relato infeliz que ouvi, foi o de dois jovens, contando como iriam espancar o nerd da sala deles, só pelo fato dele ser um pouco diferentes dos demais.

    Eu estou farta de ter que ouvi de meus pais dizendo que não vou conseguir ser uma modelo, mas as vezes, eu também acho que não vou conseguir realizar esse sonho. Faz três dias que não me alimento direito, o concurso para a primeira chamada está chegando e eu preciso estar totalmente em forma. Tomara que eu consiga.

                

   Já se passou uma semana e hoje é o dia da entrevista, para saber quais das 100 garotas irão conseguir passar para a segunda fase. O produtor do concurso me ligou e informou que eu deveria ir vestida de gueixa. 
     
    Estou feliz, porque tenho confiança em me mesma, hoje eu vou conseguir realizar o meu sonho de mim tornar uma modelo, nada vai me impedir. A menos, talvez, aquele garoto que está vindo em minha direção, ele está correndo atrás de mim, socorro... Ele tirou uma arma debaixo da camisa, acho que ele quer me assaltar.

    Quando eu era criança, papai me ensinou a atirar, mas eu não tenho nada com o que me defender agora.



   Ele está pedindo minha bolsa, mas dentro dela está todo meu salário  do mês. Estou correndo, alguém me ajuda, ele está atirando. Acabei tropeçando, minha perna está muito quente. Estou vendo sangue escorrendo por ela. O assaltante está vindo em minha direção, consigo ver em seus olhos, um olhar furioso. Ele aponta a arma pra minha cabeça, eu estou implorando pra que ele não faça isso, mas parece que meu clamor não foi atendido, ele soltou alguns disparos e parece que esse foi o meu fim.

   Eu gostaria de ter me tornado modelo, eu estava tão confiante, realmente a vida é como um sopro, que se desfaz em frações de segundos... Meus olhos estão fechando, queria ter visto como teria sido os holofotes, as câmeras, mas parece que foi tudo apenas um sonho, acho que esse é uma despedida querido estranho,  favor não chore, mas também não fique alegre, enfim Adeus... 

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''Esta é sua vida, você pode ser qualquer coisa e dirigir como se a tivesse roubado" 
Sing Street

Texto baseado no filme: Sing Street

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